Doenças do Rim

 
 

Os rins situam-se na parte dorsal do abdome, logo abaixo do diafragma, um de cada lado da coluna vertebral, nessa posição estão protegidos pelas últimas costelas e também por uma camada de gordura. Cada rim tem cerca de 11,25 cm de comprimento, 5 a 7,5 cm de largura e um pouco mais de 2,5 cm de espessura. A massa do rim no homem adulto varia entre 125 e 170 g; na mulher adulta, entre 115 e 155 g. Tem cor vermelho-escuro e a forma de um grão de feijão.


Cálculo Urinário:


A litíase, cálculo urinário ou pedra no rim, como é comumente conhecida, é uma desordem causada por uma estrutura cristalina que se forma nas várias partes do trato urinário. Estas pedras começam bem pequenas e vão crescendo. O desenvolvimento, o formato e a velocidade de crescimento destas estruturas dependem da concentração das diferentes substâncias químicas presentes na urina.

Aproximadamente uma em cada 200 pessoas desenvolvem pedra no rim. Cerca de 80% destas pessoas eliminarão a pedra espontaneamente, junto com a urina. Os 20% restantes necessitarão de alguma forma de tratamento. As pessoas que já tiveram um cálculo urológico têm uma chance de 50% de desenvolver um novo cálculo nos próximos 5 a 10 anos.

Alguns cálculos podem permanecer assintomáticos, não requerendo tratamento algum; entretanto podem também obstruir e machucar partes do trato urinário ao tentarem passar junto com o fluxo normal da urina. A dor causada por um cálculo é descrita como a mais severa dor que uma pessoa pode experimentar, ocorrendo na porção inferior das costas ou no abdômen. Esta dor pode ser tanto constante como descontínua e pode vir acompanhada de náusea, vômito e sangue na urina. Devido à dor severa, um ataque agudo consiste em uma verdadeira urgência.


Tratamento:


Nem todos os cálculos urológicos requerem tratamento. Pedras que são assintomáticas não obstruem e não causam danos ao trato urinário, podem ficar simplesmente sob observação. Cerca de 80% das pedras vão ser eliminadas espontaneamente junto com a urina. Entretanto, estas pedras podem causar dores severas até que sejam eliminadas.

Quando uma pedra é muito grande para ser expelida, ela pode ser quebrada através de um tratamento chamado Litotripsia. Diferentes formas de energia podem ser empregadas para se quebrar um cálculo em partículas pequenas o suficiente para serem carregadas pela urina ou removidas; estas formas de energia incluem eletricidade, ultrassom, raio laser e impactos mecânicos. A energia, que é direcionada ao cálculo, deve passar através de um instrumento (endoscópio) inserido no trato urinário.

Caso um cálculo necessite de um tratamento, o objetivo deste será remover completamente a pedra que foi diagnosticada. O método de tratamento normalmente é selecionado de acordo com o local em que a pedra se encontra, variando de litotripsia extracorpórea , passando pela ureterorrenoscopia rígida , ureterorrenoscopia flexível, nefrolitotripsia percutânea,  laparoscopia e muito raramente cirurgia aberta.










































Todas as formas de tratamento têm suas vantagens e desvantagens. Algumas vezes uma combinação de tratamentos se faz necessária para se atingir um melhor resultado. A decisão do tratamento a ser utilizado depende de vários fatores. O tamanho da pedra, a localização, a dureza e a composição são tão importantes quanto a anatomia individual do trato urinário, a história médica e a saúde do paciente. Todos estes fatores são considerados para que seja feita a escolha do tratamento mais apropriado .


Estenose de junção Uretero-Pélvica


A estenose de junção uretero-pélvica, mais conhecida como estenose de JUP é uma doença urológica relativamente comum e que se caracteriza pelo fechamento parcial ou total da junção entre a pelve renal e o ureter. Assim, a urina produzida no rim não tem livre passagem para a bexiga, levando a um acúmulo urinário dentro da pelve renal e, conseqüentemente, uma dilatação renal (hidronefrose).

Dependendo do grau de obstrução, pode ocorrer perda parcial ou total da função renal. Além disso, devido à urina estagnada dentro da pelve renal, podem ocorrer complicações secundárias como infecção urinária de repetição e formação de cálculos renais (pedras nos rins).

A maioria dos casos é congênita, ou seja, desde o nascimento e que geralmente não são diagnosticados até se alcançar a vida adulta. Um menor número de casos tem origem secundária, causada após cirurgias sobre o rim ou pela passagem de cálculos. O tratamento padrão-ouro para o reparo da estenose de JUP tem sido por várias décadas a pieloplastia aberta, com taxa de sucesso acima de 90%. Não obstante, o acesso aberto apresenta uma morbidade pós-operatória elevada, representada principalmente pela dor pós-operatória intensa, longo tempo de internamento e de retorno às atividades normais e resultado estético ruim devido à flacidez da parede abdominal causada pela incisão lombar (figura 1)

Na intenção de diminuir esta morbidade, alguns tratamentos endourológicos (endourologia) foram desenvolvidos, como a endopielotomia endoscópica anterógrada e retrógrada. No entanto, essas técnicas têm taxas de sucesso de apenas 70%-89%, quando comparadas com a cirurgia aberta.

Após a primeira nefrectomia (retirada cirúrgica de um rim) realizada por via laparoscópica em 1990, esta via de acesso ganhou grande impulso na urologia. Em 1993, Schuessler realizou a primeira pieloplastia laparoscópica. Desde então, diversos grupos em todo o mundo têm relatado resultados excelentes com a realização da pieloplastia  laparoscópica para o tratamento da estenose de JUP. A pieloplastia laparoscópica desmembrada tem o potencial para reproduzir as taxas de sucesso da pieloplastia aberta e simultaneamente diminuir a morbidade pós-operatória em pacientes que são candidatos à cirurgia aberta.

A cirurgia consiste na remoção do segmento estenosado na junção uretero-pélvica e sutura cuidadosa da pelve renal no ureter, deixando-se um dreno interno chamado cateter duplo J, para moldar a sutura e evitar um fechamento secundário.















Após cerca de seis semanas, o duplo J é removido por cistoscopia. Toda a cirurgia é realizada por via laparoscópica. O tempo médio de cirurgia e de internamento é de duas horas e de dois dias, respectivamente. Geralmente a dor pós-operatória é mínima, não necessitando analgésicos, pois toda a cirurgia é feita com apenas 3-4 incisões de meio a um centímetro cada.

Cerca de 90% dos pacientes conseguem após a cirurgia, manter estável e até mesmo recuperar uma parte da função renal no rim afetado, evitando assim, a perda do rim.




























































Câncer do Rim:























O câncer do rim (adenocarcinoma do rim; carcinoma das células renais; hipernefroma) é responsável por cerca de 2% dos cânceres em adultos e afeta uma vez e meia mais os homens que as mulheres. Quase todos os tumores sólidos do rim são cancerosos, mas os cistos renais (cavidades fechadas, cheias de líquido) geralmente são benignos.

A presença de sangue na urina é o sintoma inicial mais comum, mas a quantidade de sangue pode ser tão pequena que somente é detectada ao exame microscópico. Por outro lado, a urina pode tornar-se visivelmente vermelha. Os sintomas seguintes mais comuns são a dor no flanco e a febre.

Quando existe uma suspeita de câncer renal, pode ser realizada uma urografia excretora, uma ultra-sonografia ou uma tomografia computadorizada (TC) para se visualizar o tumor. A ressonância magnética (RM) também pode ser realizada.

Quando o câncer não se propagou além do rim, a remoção cirúrgica do rim afetado e dos linfonodos provê uma boa probabilidade de cura. Quando o tumor já invadiu a veia renal ou inclusive a veia cava (a grande veia que transporta o sangue ao coração), mas não produziu metástases para regiões distantes, a cirurgia ainda pode prover uma chance de cura. No entanto, o câncer renal apresenta uma tendência a disseminar-se precocemente, especialmente para os pulmões. Quando o câncer renal já produziu metástases, o seu prognóstico é ruim, pois ele não pode ser curado pela radioterapia, pelas drogas antineoplásicas tradicionais (quimioterapia) ou por hormônios.

























Cistos Renais :


Podem existir desde o nascimento mas são mais comuns em pacientes idosos. Aproximadamente 12% dos adultos tem cisto renal. Na 4a. década de vida a incidência é de 5% e na 8a. é de 36%. A proporção entre homens e mulheres é de 2:1. Com a idade os cistos aumentam em número 6% ao ano e em tamanho 2,8 mm ao ano.

     Com o aparecimento da tomografia computadorizada e da ultra-sonografia, tem sido possível não só diagnosticar maior número de cistos bem como diferenciá-los dos tumores malignos.

Podem ser solitários (únicos) ou múltiplos, grandes ou pequenos, paredes finas ou grossas, mas conteúdo, sempre líquido (urina). Se houver qualquer outro material no cisto, quer seja sangue ou coágulos, septações, vegetações, este perde a característica de cisto simples e passa a ser "complexo", podendo significar presença de tumor renal, e por isso os cistos simples necessitam de acompanhamento.

O cisto simples, que geralmente é achado de exame,sendo a maioria assintomático, pode estar localizado em qualquer região do rim, inclusive próximo à pelve renal, onde pode ser obstrutivo para o ureter. Desde que não afetem o rim em sua função e não causem desconforto pelo tamanho, devem ser apenas acompanhados. Quando crescem demais, podem comprimir órgãos vizinhos como intestinos, pulmões, estômago, etc., ou apenas causar dor lombar. De acordo com o caso, a cirurgia a céu aberto ou  laparoscópica deve ser considerada.


    



















 

Cirurgia Aberta

Cirurgia Laparoscópica

Pieloplastia em Criança

Paciente operado de tumor de rim bilateral, sendo o lado esquerdo com a técnica aberta convencional e a direita com a técnica laparoscópica

Pieloplastia em adulto

Pieloplastia em adulto